O Vitória e a nova Arena Rubro Negra


AREN

POR: Jodnei Pereira

Prezada diretoria,

 

Assim como a grande parte da nossa torcida, eu considero que o fortalecimento do clube também depende da modernização do Barradão ou da construção de um estádio padrão FIFA em outro local, acompanhando as trajetórias de sucesso de outros clubes como o Grêmio, o Internacional, o Atlético/Pr, São Paulo, Corinthians e até o Palmeiras (este na questão do estádio, é claro). Sei perfeitamente das ações que estão sendo operacionalizadas no sentido de melhorar as instalações do Barradão, e quero parabenizá-los por isso, mas sabemos que apesar da área no entorno do estádio ser relativamente grande, seria difícil imaginar que alguma empresa estaria disposta a investir numa área que fica longe dos grandes centros comerciais da cidade, sobretudo porque o acesso ao Barradão não é dos melhores e eu, como boa parte da torcida, não vejo margem para que uma melhoria a contento ocorra, pois dependeríamos do poder público se movimentar para reurbanizar massivamente o bairro de Canabrava e adjacências. Aliás, sobre a questão do acesso ao Manoel Barradas, gostaria de saber se a diretoria procurou o poder público Municipal durante a gestão de João Henrique ou na de Antônio Imbassahy para cobrar que a linha 1 do metrô tenha uma estação próxima ao barradão, de preferência na Avenida Aliomar baleeiro, na altura do entroncamento com a Rua Gildélia Santos (terreno entre a Aliomar baleeiro e o Barradas).

 

Mas voltando a falar sobre a construção de uma nova arena, não sei se é válida a sugestão que ofereço, mas após horas a fio buscando  no mapa da cidade locais onde seria possível a construção de um estádio de ponta, percebi que a cidade é densamente povoada e que as vias de maior capacidade de veículos em sua maioria não dispõem de terrenos suficientemente grandes para uma obra de engenharia tão complexa. Ainda assim, pude identificar duas áreas que possuem características propícias. Tentarei fazer uma sucinta análise dos prós e contras de cada uma destas áreas:

 

Uma fica às margens da avenida Luis Eduardo Magalhães, conforme figura abaixo (ponto “A”). Apesar de ser uma área muito grande, teríamos 2 grandes entraves: 1º, o fato de esta área pertencer às forças armadas. 2º O fato de este ponto estar nas imediações da Represa do Cascão, o que pode gerar entraves de ordem ambiental. Entretanto, se estes 2 problemas fossem superados e fosse construída uma arena aí, o Rubro-Negro teria um estádio muito bem localizado, que poderia ser acessado tanto pelos torcedores que optassem em vir pela BR 324 como por aqueles que viriam da paralela ou ainda pelas avenidas San Martin e Barros Reis. Poderia se pensar também em estender a Avenida Edgard Santos até o ponto indicado.

 

imagem 1

Créditos: maps.google.com.br

 

Uma segunda opção já vi sendo especulada na internet por outros rubro-negros: O Wet’n wild. Fica na paralela, onde o Governo promete que irá construir a linha 2 do metrô. De fato, esta área já dispõe de uma certa estrutura física, na qual o atual estacionamento poderia ser transformado em edifício garagem, e o estádio poderia ser construído conforme a figura abaixo:

 

imagem 2

Créditos: maps.google.com.br

Não desprezo o carinho que a torcida nutre pelo barradas. Eu também tenho este mesmo carinho. Mas creio que se o clube quer aumentar sua receita anual e ter condição de enfrentar os grandes clubes de igual para igual, é fundamental que o clube melhore sua estrutura. Eu vejo a construção de uma arena em outro local como algo mais vantajoso porque isso abriria também um leque de possibilidades para o barradas. Ele poderia ser incorporado ao Ct Manoel Pontes Tanajura, ser um estádio que poderia ser utilizado quando o Vitória alugar a nova arena para um evento ou quando a comissão técinica achar que é melhor jogar no Barradas… O Barradas pode servir até como caução na tomada de um empréstimo.

 

A construção de um estádio maior e mais moderno é um sonho que todo o torcedor do Vitória gostaria de ver sendo realizado, e penso que a diretoria irá analisar com carinho estas  sugestões.

 

Creio que o maior entrave realmente seria de questão econômica. Sei que se a diretoria tivesse à sua disposição dinheiro suficiente para fazer um novo santuário, sem comprometer os outros compromissos do clube, ela colocaria as mãos na massa. Por isso, aproveito também para sugerir formas de captar recursos para fazer uma obra deste tipo.

 

1.Se o projeto escolhido for a reforma do Barradas

 

Supondo que as construções começariam após a Copa de 2014 (pois o barradas deve ser utilizado como CT de alguma seleção), o clube teria cerca de 18 meses para captar recursos que sejam suficientes para a reforma, e neste período deverá focar as ações do marketing atrelando o programa de sócios à construção de uma nova arena, mais moderna e confortável para o torcedor e que tenha maior capacidade do que os atuais 35.000 do Barradão. É óbvio que 18 meses é um prazo muito curto pra conseguir 300 a 500 milhões de reais, valor que creio ser suficiente para reformar e ampliar (A arena palestra, p ex. vai abrigar até 45.000 torcedores e vai custar, juntamente com todas as obras de entrono, 430 milhões; o projeto pra reforma do morumbi era de 200 milhões; O Beira-Rio será reformado ao custo de 330 milhões; A Arena da Baixada, com características de engenharia mais próximas do Barradão, 234 milhões). Como conseguir então um valor suficiente pra começar as obras? Através do Sou mais Vitória + outra receita (ex: venda de produtos licenciados). Por exemplo: Se o clube tiver 10 mil sócios do plano prata pagando suas mensalidades, pelo valor atual do plano (R$ 360,00/ano), em 18 meses o clube arrecadaria 5,4 milhões. Se somarmos a esses 10.000 sócios do plano prata uns 2.000 sócios do plano ouro, esse valor subiria para 7,56 milhões. Projetando uma arrecadação de 5 milhões/ano  em vendas de produtos oficiais, seriam 7,5 milhões em 18 meses. Assim,  o total arrecadado em 18 meses, somando os sócios ouro e prata e a venda desses produtos,  seria de 15 milhões, aproximadamente. O Barradão seria então fechado e o Vitória jogaria em Pituaçu até o fim da obra.

Sei que 12,56 milhões não dá pra fazer muita coisa. Então o clube deveria conseguir mais uns 50 milhões mediante financiamento a serem pagos após o término da obra  e a partir desse ponto reformular o programa de sócios, reajustando o seu valor trazendo algum benefício adicional (o benefício adicional é algo a se pensar). Os novos valores seriam de 400 e 800 reais/ ano, respectivamente. Em suma, a mensalidade aumentaria 4 e 8 reais, a depender do plano.

 

Assim, em agosto de 2014 o Vitória teria 65 milhões pra começar a obra, o que seria um valor substancial. Nessa hora a torcida tem que mostrar sua força! Quando a galera ver que a obra já começou e que pra ajudar a terminar é preciso se tornar sócio, novas adesões vão acontecer. E se o Vitória estiver conseguindo bons resultados dentro de campo, aí é que vai ser euforia geral. Então, se fecharmos em 300 milhões o custo total da reforma do Barradas, tirando os 62, 56 milhões da nossa projeção de 18 meses, faltariam 235 milhões. Supondo que a reforma seja concluída em 3 anos, e considerando os novos valores sugeridos para o SMV, o clube tem que ser capaz de gerar uma receita de cerca de 80 milhões por ano apenas para o estádio. Neste momento, a expectativa é de que a venda de produtos oficiais vai gerar mais receita do que nos 18 meses iniciais. Vamos estimar em 10 milhões/ano. Além disso, teremos um salto no número de sócios. Nessa altura já estaremos mandando no Pituaçu, onde cabem 32.157 torcedores. Tirando 1607 lugares reservados a torcida visitante, sobram 30 550 lugares, que deverá ser o número máximo de sócios ouro e prata. Vamos então à projeção : 21 mil sócios prata a 400/ano= 8,4 milhões; 9550 sócios ouro(esse seria o maior desafio) a 800 reais/ano = 7,64 milhões. Somando sócios ouro e prata com produtos licenciados= 26.04 milhões. Os 54 milhões que faltam para a meta de 80 milhões/ano devem vir de um investidor ou grupo de investidores que terá(ão) participação na bilheteria do novo barradas por prazo certo (essa bilheteria seria na verdade calculada de acordo com os torcedores presentes na nova arena em cada jogo, incluindo os que irão pagar e os que entrarão por serem sócios do SMV). Essa projeção se repetiria até o fim da obra (ou seja, por 3 anos). Após a inauguração da nova arena, aquele primeiro empréstimo de R5 50.000.000,00 começará a ser pago, e para isso o clube poderá usar a própria receita do SMV (não toda ela,), ou qualquer outra, à sua escolha.

 

Esta fórmula deixa de fora outras receitas do clube (patrocínios, cotas de tv, , vendas de jogadores) e suprime a receita da bilheteria e estacionamento no barradas( já que nesse período os jogos seriam no Pituaçu). Assim, o Vitória teria condições de continuar cumprindo com seus compromissos.

É claro que podem haver desafios durante este tempo. Talvez a adesão da torcida ao projeto não seja tão grande, temos que levar em conta também que os materias da obra e o salário dos operários sofrem reajustes, mas se observarem bem os números acima verão que estas projeções darão mais do que 300 milhões: Somando os 80 milhões/ano durante os 3 anos de construção + os 65 milhões iniciais, serão ao todo 305 milhões.  Além disso, creio que a reforma do barradão ficará com o custo total bem mais próximo do valor da arena da baixada (230 milhões).  A opção de reforma do Barradas é mais viável economicamente, mas dependerá de uma contrapartida do Governo na questão da acessibilidade. Seria excelente se a linha 1 do metrô chegasse no Barradas, após passar pela Estação Pirajá, Mata escura (na altura da rua do Nepal com a rua do Porto Rico) e Pau da Lima (próximo à Mansão do caminho)

 

2. Se a Diretoria optar pela aquisição de outro terreno (mais caro, porém, melhor)

 

A fórmula seria parecida, com 3 diferenças fundamentais:

  • O prazo da obra passaria de 3 para 4 ou 5 anos
  • O financiamento após os 18 meses iniciais (que na primeira opção foi de 50 milhões) seria no valor necessário para comprar o terreno e iniciar as obras. Isso pode fazer com que a forma de pagamento do financiamento seja alterada.
  • Se abriria a possibilidade de o Barradão ser usado para gerar receita destinada às obras, através de aluguel para eventos diversos.

 

O fato é que precisamos tomar um posicionamento quanto a construção de um novo estádio e rápido, pois isso aumentaria substancialmente o patrimônio do clube, faria com que jogadores de muita qualidade tivessem interesse em atuar pelo Vitória e ajudaria a fidelizar o torcedor, aumentando a renda do clube. Não fazer nada a respeito seria o mesmo que parar no tempo depois de experimentar tão grande crescimento nos últimos 20 anos.

 

 

Saudações rubro-negras.